julho 30, 2008

Ele

Fitaram-se por alguns instantes. Dançaram na rua como dois bailarinos piegas. Sentiu a pressão das mãos dela em suas costas e entendeu o que quis dizer com aquilo. Dividiram alguns toques mais fortes e num instante parecia não haver mais som ao redor. A coreografia seguia o compasso do som da respiração de ambos. A dança virou quase um abraço.

Encantou-se por aquele olhar. Soube conversar com seus olhos. Sim, conversaram. Sem palavras, sem gestos. Apenas olhares. Pôde ver tanta coisa por trás daqueles olhos. "Olhos que se entregam... ilegais."

Mas ela não é a menina dos seus olhos.

julho 28, 2008

Ela

"Lá mesmo esqueci que o destino
Sempre me quis só
No deserto sem saudade, sem remorso só
Sem amarras, barco embriagado ao mar
Não sei o que em mim
Só quer me lembrar
Que um dia o céu reuniu-se à terra um instante por nós dois
Pouco antes de o ocidente se assombrar"
(inverno - adriana calcanhoto)
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Fitaram-se por alguns instantes. Dançaram na rua como dois bailarinos piegas. Descalça e na ponta do pé, ela sentia seu calor, as mãos afagando sua cintura, braços envolvidos trançando-se. A dança virou quase um abraço e suas mãos faziam movimentos involuntários, apertando e o puxando para si.
Apaixonou-se por aquele olhar. Soube conversar com seus olhos.
Sim, conversaram. Sem palavras, sem gestos. Apenas olhares.
Pôde ver tanta coisa atrás daquela pupila viva.
Pupila... do latim, "menina dos olhos".
Sim, ele é o menino dos seus olhos.
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"me apaixonei por um olhar... por um gesto de ternura
mesmo sem palavra alguma pra falar
meu amor a vida passa num instante e um instante é muito pouco pra sonhar"
(oswaldo montenegro)

julho 23, 2008

Liesel Meminger

"... Ela era a roubadora de livros que não tinha palavras. Mas, acredite, as palavras estavam a caminho e, quando chegassem, Liesel as seguraria nas mãos feito nuvens, e as torceria feito chuva. (...) "
(A menina que roubava livros)

Rudy Steiner

"Ele mexe comigo, esse garoto. Sempre. É sua única desvantagem. Ele pisoteia meu coração. Ele me faz chorar."
(A menina que roubava livros)

julho 21, 2008

...

Fiz aquele anuncio e ninguem viu Pus em quase todo lugar a foto mais bonita que eu fiz,você olhando pra mim Alto aqui do sétimo andar longe, eu via você e a luz desperdiçada de manhã num copo de café Deus sabe o que quis foi te proteger do perigo maior que é você E eu sei que parece o que não se diz o seu caso é o tempo passar Quem fala é o doutor P arece que foi ontem, eu fiz aquele chá de habu pra te curar da tosse do chulé, pra te botar de pé E foi dificil ter que te levaràquele lugar. Como é que hoje se diz? Você não quis ficar Os poucos que viram você aqui me disseram que mal você nao fazE se eu numa esquina qualquer te vir será que voce vai fugir? Se você for, eu vou correr!Se for eu vou.
(los hemanos)


Só aquele olhar me deixou saudade.
Mais nada.

julho 20, 2008

'O meu amor é seu amor, também é o meu amor, é seu, é nosso'

Martha Medeiros

Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona para festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra?
Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.
Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade", que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos. Verdade verdadeira.
Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contraído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos.
Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.
Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.
Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.
Um amigo não dá carona apenas para festa. Te leva para o mundo dele, e topa conhecer o teu.
Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillón.
Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.
Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura um confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.
Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém!
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Que eu possa sempre dispor de momentos como ontem...
Vinho. Amigos. Violões. E um coro bem desafinado a acordar a vizinhança madrugada a dentro.
Apesar de achar essas datas comemorativas meras estratégias do comércio...
Feliz dia do Amigo!

julho 12, 2008

Meu nando...

Um Simples Abraço
Composição: Nando Reis


Sou uma colhere o seu prato está virado, você não vai comer ?Sou lá fora o frioseu casacoestá guardadovocê não vai passar em casa ?Sou uma avenidae o seu carroestá paradovocê não vai sair ?Sou um temporale os seus lábiosestão fechadosmas se você sorrir eles se abrem.O que você precisa ?se você precisar.Uma margarida comumum beijo ou um simples abraçoque é pra você lembrar de mim.