maio 29, 2011

Acabou chorare, ficou tudo lindo

Meninim amarelo
Me abraçou no meio da ladeira
Carnaval me curou da agonia
Mestre sala e porta bandeira
mais grudados n´avenida, num havia
ela ta de saudade nem se aguenta
te ensinei palma da mão tem um M
me ensinou a fugir da pimenta.



Talvez pelo buraquinho, invadiu-me a casa, me acordou na cama
Tomou o meu coração e sentou na minha mão (...)


Acabou chorare no meio do mundo
Respirei eu fundo, foi-se tudo pra escanteio.
-  novos baianos.

maio 22, 2011

Lázaro



Cade seus shows pra adoçar meu coração?

hahaha. em breve, em brevinho.
Te amo muito viu, nara? te amo!

Tô esperando! =*
Amo muito!

chego logo!

Diagnóstico

Ainda não me recuperei dele.



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maio 08, 2011

Pedaços de Caio

Pedaços de Caio, em minha lenta leitura de Morangos Mofados, pág. 75, nesse domingo tão nostálgico pra mim. Várias saudades juntas, dá nisso.


Eram dias parados aqueles. Por mais que se movimentasse em gestos cotidianos - acordar, comer, caminhar, dormir -, dentro dele algo permanecia imóvel. Como se seu corpo fosse apenas a moldura do desenho de um rosto apoiado sobre umas das mãos, olhos fixos na distância. Ausentou-se, diriam ao vê-lo, se o vissem. E não seria verdade. Nesses dias, estava presente como nunca, tão pleno e perto que estava dentro do que chamaria - tivesse palavras, mas não as tinha ou não queria tê-las - vaga e precisamente de: A Grande Falta. 

Era translúcida e gelada. Tivesse olhos, seriam certamente verdes, com remotas pupilas. À beira da praia certa vez encontrara um caco de garrafa tão burilado pelas ondas, areias e ventos que cintilava ao sol, pequena jóia vadia. Apertou-o entre os dedos, sentindo um frio anestésico que o impedia de perceber as gotas de sangue brotando mornas da palma da mão. Era assim A Grande Falta. Pudesse vê-lo, pudesse ver-se, veriam também o sangue, ele e os outros, acontece que tornava-se invisível nesses dias. Olhando-se ao espelho, sabia de imediato que estava dentro Dela. No vidro, além dele mesmo, localizava apenas um claro reflexo esverdeado. 

Ela estava tão dentro dele quanto ele dentro Dela. Intrincados, a ponto de um tornar-se ao mesmo tempo fundo e superfície do outro. Amenizava-se às vezes no decorrer do dia, nuvens que se dissipam, turvo de água clareando até o cair da noite surpreendê-lo nítido, passado a limpo, passado a ferro. Então sorria, dava telefonemas, cantava ou ia ao cinema. Mas em outras vezes adensava-se feito céu cada vez mais escuro, turvo agitado subindo de fundo, vidro bafejado. Sem dormir, fosforecia entre os lençóis ouvindo os ruídos da madrugada chegarem como abafados por uma grossa camada de algodão. Dissipava-se ou concentrava-se na manhã seguinte e, concentrando-se, não era uma manhã seguinte, mas apenas uma fluida e mansa continuação sem solavancos. 

Seu maior medo era o destemor que sentia. Íntegro, sem mágoas nem carências ou expectativas. Inteiro, sem memórias nem fantasias. Mesmo o não-medo sequer sentia, pois não-dar-certo era o natural das coisas serem, imodificáveis, irredutíveis a qualquer tipo de esforço. (...)