abril 21, 2010

Feito pra mim, bom pra você. Deixa mudar e confundir! - I

Cheir Antonie,
Je suis vraiment desolé mais je ne peux pas partir avec toi.
Du 20 au 24 je dois travailler, j'ai 4 jour, 4 jour de congé.
Je vais à la campagne. Je voyage en train
pour les montagnes, c'est un drôle de chemin!
Je vais à la plage avec des amis. Je vais faire du sport,et apres
je vais faire du ski!"


- Feito pra mim, bom pra você. Deixa mudar e confundir!
- Deixa de lado o que se diz. Tem no mercado, é só pedir!...
- Me faz chorar... e é feito pra rir.

Rodrigo Amarante




Cheir Antoine entrou em cena. É impossível não notar sua presença. Tem um jeito natural ao lidar com a platéia, consegue transitar todo o espaço sem sair do lugar, capta as expectativas de quem o assiste. Parece observar cada rosto, cada olhar. Pelo menos é assim que Amelie o vê. Amelie é seu par na peça. Estrearam há pouco tempo, apresentam-se às terças-feiras. Dizem as más línguas que mudaram o roteiro e que a idéia inicial não era formar par romântico. Acredito que a sintonia prevaleceu e arricar foi válido. Ela o admira, mas consegue disfarçar. Ele percebe, mas finge não saber. Disputam atenção entre si. Mas é na coxia que as máscaras caem. Pierrot e Colombina deixam de ser apenas movimentos e expressões em cima de um tablado.

fevereiro 11, 2010

Contexto


Durante essa semana os picos de humor estão bastante insconstantes. A euforia vai de 0 ao infinito de uma hora pra outra. A magia do carnaval invade a cidade, bem como invade meu coração. Deve ser por isso que de repente vem um avalanche de sensações, de agonias, inquietude. Culpa da minha mãe... Quem mandou ir pra avenida com Naraiana na barriga, grávida de oito meses. Tudo apertado, aqui dentro já não me cabe. Lá estava quente. Salvador também está, o verão castiga. Mexi demais... Resultado? Fortes contrações no meio da multidão. Meu coração já sentia as batidas dessa coisa toda que a gente sente e não sabe explicar quando pisa os pés no asfalto com a maior concentração de energia e vibração positiva do mundo, sem exageros.
Hoje o dia está tão estranho. Silêncio, ruas vazias, chuva. Cadê o clima de carnaval hein? Cadê? Meu perfil do Orkut ta bombando em animação, resultado da euforia em alta quando acordei. Daí fui murchando, murchando. E olha só, estou escrevendo. Que lindo isso, quanta satisfação. Os planos eram voltar a postar após o carnaval. Na verdade acho que tudo nessa cidade só funciona de fato depois dele. Talvez eu só funcione depois dele também.
Bem, por enquanto é só. Voltei. Breve dou as caras por aqui.

agosto 09, 2009

Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.
Clarice Lispector

minha holambra virou cimento.

Então eu cheguei pra mais uma visita dominical, e por um momento senti como se a alma saísse do corpo pra procurar o que a vida inteira esteve ali. Um gelo paralisante me invadiu. O jardim sumiu. O jardim que por longos anos passei as tardes de domingo com ela. Ele dividia-se em dois grandes canteiros. No direito havia uma árvore Jasmin imensa, que sombreava a varanda, algumas mudas de Sorriso, Violetas (suas prediletas), Ficus, o pé de coentro que plantei e outras que não lembro o nome mesmo. No esquerdo haviam as rosas, que eram o dengo da minha véa, e outras que também não lembro o nome.

Hoje o cimento ocupa o lugar do verde, as lembranças, a saudade, doeu tanto. Foi naquele jardim que dei os primeiros passos, que brinquei. Foi nele que a foto do primeiro dia de aula foi tirada. Foi lá que nós nos divertiamos brincando com a mangueira na hora de regar as plantas no final da tarde. Ainda consigo sentir o cheiro do jasmin que começava no meio da rua e percorria a casa inteira, um verdadeiro tapete branco pelo quintal. E foi lá que ela, serenamente partiu, sentada, adormecida. A flor mais preciosa do meu jardim.

junho 25, 2009

Conheça seu aliado.

Então... Horas vagas no trabalho servem para que eu revire o mundo virtual de ponta a cabeça... Foi na brecha de um curto espaço de tempo que encontrei o blog de Paulo Coelho no g1. Abaixo, o post do dia 24/06/2009, já que não tô afim de escrever.

Conheça seu "aliado"

Um guerreiro senta-se ao redor da fogueira com seus amigos.
Passam horas acusando-se mutuamente, mas terminam a noite dormindo na mesma tenda, e esquecendo as ofensas que foram ditas.
De vez em quando, aparece um recém-chegado no grupo. Porque ainda não tem uma história em comum, mostra apenas suas qualidades, e alguns o enxergam como um mestre.
Mas o guerreiro da luz jamais o compara com seus velhos companheiros de batalha. O estrangeiro é bem-vindo, mas só confiará nele quando souber também os seus defeitos.
Um guerreiro da luz não entra numa batalha sem conhecer os limites de seu aliado.

(Paulo coelho, http://colunas.g1.com.br/paulocoelho/)