outubro 23, 2010

Pouco tempo

Minha maior tristeza é que todo novo amor que eu arrumo vem sempre com algum velho amor tão longo e bonito. E eu sofro porque com pouco tempo não consigo ser melhor que o muito tempo. E de sofrer assim e enlouquecer assim, nunca dou tempo de ser muito para esses amores porque estrago antes. 




Tati Bernardi, brincando de me descrever.

outubro 17, 2010

Remar

Remar. Re-amar. Amar. Porque se não houver amor, se não colocar amor no que faz, pra mim, não faz sentido. Não usa perfume, mas meu cheiro procura pelo seu cheiro. Tem uma voz macia que canta até quando não está cantando. Perdi a conta dos vários tipos de sorriso... tem um baixinho, engraçado, é o que mais gosto, que é quando conto algo. Esse sorriso tem umas três sílabas geralmente e fica entre meus comentários, ou todas as vezes que conto casos. Outro é bem largo, aberto. Tipo o meu que mostra a gengiva. E a gargalhada é inconfundível, conheço de longe, identifico nos podcasts. Digo que não, mas gosto quando me olha fixamente. Aqui dentro maquino mil e uma possibilidades sobre o motivo do olhar. Acho suas orelhas pequenas, mas são perfeitos passeios para minha língua percorrer, caminhar. 

Olha, não tenho métrica nem feeling pra escrever, não sou cult, às vezes sou careta, ciumenta, grudenta, gosto do seu sexo, dos seus valores. Só quero cuidar do meu neguinho polêmico. 



"Mas eu não quero ter vergonha de nada que eu seja capaz de sentir. Sentir não é brega. Ao contrário: não existe nada mais chique. Não importa quanto vai durar - é infinito agora."


- Caio Fernando de Abreu

setembro 21, 2010

Pra você

Foi quando você, apoiado na cadeira em frente, abriu um sorriso e me ganhou. Um sorriso calmo, distraído. Estávamos em extremos opostos, apoiei minha cabeça na janela e tentei disfarçar com alguns desvios de olhar e comentários soltos. Quem eu era ou fui, antes daquele sorriso, agora não sou mais.
Depois de muito tempo sem ninguém que provocasse o mínimo de boas sensações, arrepios, frio na barriga e borboletas no estômago, você esse menino aparece assim do nada. Eu que já lhe mirava de longas datas, que achava você e sua namoradinha de colégio um casal bonito. Eu que lembro dos seus óculos de armação vermelha e dos cabelos grandes. Eu que não sei nada de sua vida e coração. Deixei que sussurrasse a tatuagem em meu ouvido. Sua voz macia tatuou meus tímpanos, fluiu em meu corpo, esquentou minha alma.
Meu bem, você está tomando conta de mim. Não quero que acabe logo, tenho muito medo disso. Mas você é só luz e eu fico com vontade de chorar quando falo com você. A impressão que tenho é que você me limpa. Preciso ser sua pelo tempo que tiver que ser sua.
Eu não sei falar e de vez em quando arrisco escrever pra desabafar. Como quando uma ostra se fecha pra proteger sua pérola, se esquivou da minha mordida disfarça de carícia, pronta pra você.



E eu que queria ser a cadeira de recostar, acabei aqui.

agosto 29, 2010

“Eu me exponho tanto, me dôo tanto, que eu já me sinto no direito de não alimentar mais nada da minha vida pessoal. O que eu canto é muito pessoal. Eu choro, eu sangro, eu suo. Não tô preocupada com a beleza. Tô preocupada com a entrega. Então, me permito isso. Mas eu já estou mais tranqüila do que há um ano meio"

(Maria Rita Mariano)






julho 12, 2010

Existem tantas nuances em seus lábios como o leque para o teatro Nô ou  as castanholas para a dança flamenca.
(Fabrício Carpinejar)