Foi quando você, apoiado na cadeira em frente, abriu um sorriso e me ganhou. Um sorriso calmo, distraído. Estávamos em extremos opostos, apoiei minha cabeça na janela e tentei disfarçar com alguns desvios de olhar e comentários soltos. Quem eu era ou fui, antes daquele sorriso, agora não sou mais.
Depois de muito tempo sem ninguém que provocasse o mínimo de boas sensações, arrepios, frio na barriga e borboletas no estômago, você esse menino aparece assim do nada. Eu que já lhe mirava de longas datas, que achava você e sua namoradinha de colégio um casal bonito. Eu que lembro dos seus óculos de armação vermelha e dos cabelos grandes. Eu que não sei nada de sua vida e coração. Deixei que sussurrasse a tatuagem em meu ouvido. Sua voz macia tatuou meus tímpanos, fluiu em meu corpo, esquentou minha alma.
Meu bem, você está tomando conta de mim. Não quero que acabe logo, tenho muito medo disso. Mas você é só luz e eu fico com vontade de chorar quando falo com você. A impressão que tenho é que você me limpa. Preciso ser sua pelo tempo que tiver que ser sua.
Eu não sei falar e de vez em quando arrisco escrever pra desabafar. Como quando uma ostra se fecha pra proteger sua pérola, se esquivou da minha mordida disfarça de carícia, pronta pra você.
E eu que queria ser a cadeira de recostar, acabei aqui.
Eu não sei falar e de vez em quando arrisco escrever pra desabafar. Como quando uma ostra se fecha pra proteger sua pérola, se esquivou da minha mordida disfarça de carícia, pronta pra você.
E eu que queria ser a cadeira de recostar, acabei aqui.